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Sustentabilidade em prática: como a atuação empresarial pode contribuir com o ecossistema de impacto social

Por Luis Fernando Guggenberger

28 de September de 2021

3min. de leitura

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Sustentabilidade em prática: como a atuação empresarial pode contribuir com o ecossistema de impacto social

A agenda ESG (Social, Ambiental e Governança na sigla em inglês) atual exige das empresas um posicionamento e um compartilhamento público de seus compromissos, dando maior transparência, mostrando o seu nível de comprometimento e, com isso, demonstrando a diferença entre solidez na jornada versus greenwashing e socialwashing. Ao definir as ações que irão nortear a atuação de uma empresa para ir além do lucro é necessário refletir sobre qual é o propósito maior, quem pode contribuir com esta jornada e quais são os objetivos a curto, médio e longo prazo.

Apresentar o Relatório de Sustentabilidade é uma condição de subsistência e uma forma concreta de dar visibilidade e transparência dos dados e compromissos para que a sociedade possa validar a jornada e fiscalizar a atuação empresarial no campo. Por isso, não importa qual é o formato, mais do que prestar contas aos investidores e agentes financeiros envolvidos, o importante é tornar pública a agenda das empresas. Um bom relatório demonstra esse comprometimento, como a jornada está sendo construída e traz uma autocrítica, assumindo suas vulnerabilidades, e o que pode ser melhorado. A partir das reflexões sobre os projetos desenvolvidos no ano anterior, a companhia alinha as expectativas para o ano seguinte e faz um planejamento mais preciso.

É claro que o relatório também é um reflexo da estruturação de sua jornada. Desta forma, é de fundamental importância pensarmos no primeiro passo em estruturarmos esta agenda ESG como um pilar estratégico para as empresas. Em seguida, o relatório dá publicidade as ações, contribui para a gestão dos indicadores, pode e deve evoluir para ferramentas como o GRI e o Relato Integrado, modelos internacionais que são referências na análise de resultados de medidas sustentáveis e de impacto social. Tão importante quanto definir o formato é preciso dar o primeiro passo para a transparência.

Assumimos o compromisso público em busca da certificação B, avaliação referência para a agenda de sustentabilidade da Vedacit. Ela foi desenvolvida pelo BLab, organização internacional sem fins lucrativos que reconhece e certifica empresas por unirem o lucro ao impacto social e ambiental e que, no Brasil, é representada pelo Sistema B. Nossa pontuação começou com 58, em 2018, no ano passado chegamos a 68 e temos a meta ambiciosa de terminar 2021 entre 85 e 90 pontos, para assim requerer nossa certificação. Mais do que números, a pontuação demarca a evolução da empresa com relação as atividades realizadas.

Com um déficit habitacional de 5,9 milhões de domicílios e 24,9 milhões de habitações em condições inadequadas no país, segundo estudo da Fundação João Pinheiro, é mais do que urgente olharmos com atenção para a qualidade das moradias no país. Assim, com o propósito de “transformar a vida de milhões de pessoas, melhorando as condições de habitação, fazendo da sua casa a nossa causa” a Vedacit definiu seus critérios de atuação e, inspirada pelos protocolos ESG, estabeleceu metas para conectar conceitos e práticas de sustentabilidade com os negócios da empresa.

Entre ações desenvolvidas, destaco nosso compromisso de produtos e serviços para baixa renda: até 2025 o objetivo é que 1,6 milhão de residências tenham acesso a reformas habitacionais, com assistência técnica acessível e qualificada. Isso só será possível com o trabalho em conjunto com parceiros que atuam nas comunidades e realizam trabalhos fundamentais. Entre eles estão a Vivenda, o Moradigna e a Digna Engenharia, negócios que possuem soluções que facilitam o crédito para a população de baixa renda, bem como contratam profissionais das comunidades para a realização do serviço. 

Também é fundamental a parceria com a Artemisia e a Coalizão Habitação. Em 2020 participamos da criação do Fundo Volta por Cima, iniciativa que concedeu empréstimos aos empreendedores(as) de negócios de impacto social de periferia e de outros grupos vulneráveis afetados pela pandemia. E, é claro o Lab Habitação: Aceleração de Negócios, em sua quarta edição, com a proposta de fortalecer empreendedores que conduzem soluções destinadas a tornar as moradias da população em situação de vulnerabilidade socioeconômica mais saudáveis, dignas e confortáveis. 

A partir das reflexões e aprendizados de 2020 estamos conduzindo novas iniciativas neste ano. Um parceiro importante é a aceleradora de impacto Quintessa. Realizamos o Pitch Plataforma Negócios pelo Futuro ESG na Prática, com o objetivo de conectar a Vedacit com negócios de impacto. A cada rodada com um ecossistema diferente, com startups que desenvolvem soluções para os problemas de logística reversa, com foco em Diversidade, Saúde e Segurança do cliente final e em empreendedorismo, educação e gestão da cadeia de suprimento. Foram ao todo 19 negócios de impacto e estamos em conversas e negociações com alguns deles.

Muitos são os desafios, que incluem Diversidade e Inclusão, redução no consumo de água e emissões de gases de efeito estufa, uso de energia renovável, tratamento de resíduos sólidos e efluentes, saúde e segurança do cliente e do trabalho, além de inovação com servitização. Temos consciência que é um caminho a ser construído diariamente, com o aprimoramento constante de nossas práticas. Este é apenas um passo de toda a jornada que iremos percorrer, para contribuir com a criação de um ecossistema mais viável para o mundo e os negócios.

 

* Luís Fernando Guggenberger é executivo de Inovação e Sustentabilidade da Vedacit, responsável pela coordenação das iniciativas de Inovação Aberta e Sustentável, pelo Instituto Vedacit e CCVO (Chief of Corporate Venture Officer) da TRUTEC. Formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Guarulhos e pós-graduado em Comunicação Empresarial pela Faculdade Cásper Líbero. Sua experiência profissional é marcada pela passagem em fundações empresariais como Fundação Telefônica e Instituto Vivo, além de organizações sociais na cidade de São Paulo. É membro do Comitê de Inovação do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, também participa do Conselho de Governança do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, do Conselho Consultivo da GRI Brasil e do Conselho Fiscal do ICE – Instituto de Cidadania Empresarial. Mentor de startups de impacto socioambiental.

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